3 de julho de 2009

mots froid

insônia palavras frio superficialidade confiança mágoa raiva medo dados bebidas sono amizade sede lágrimas placebo msn
Eis uma daquelas noites em que se acorda na doce ilusão de que irá beber um pouco d´água e voltar aos seus sonhos, mas não. Sua garganta seca e de repente você se pega pensando em coisas que te magoam e o quanto isso tem afetado seu comportamento...
Hoje uma pessoa me perguntou na internet se eu havia sido casada, achei até engraçada a pergunta, de repente me perguntou se eu havia namorado por longo tempo, porque eu parecia ter sido magoada, parecia ter tido várias decepções...Respondi com uma pergunta (até me lembrei do programa Chaves quando dizem que só os idiotas respondem uma pergunta com outra pergunta, mas perguntei do mesmo jeito): quem não teve decepções? E tive que ouvir, que às vezes minhas palavras parecem tão frias...
Isso me fez pensar em todas as palavras frias que tenho ouvido ultimamente, em todo o teatro de superficialidades que somos obrigados a viver e encenar mesmo quando as cenas nos dão náuseas...Me senti estúpida por todas as vezes que corri atrás de pessoas que não valiam a pena, mas como eu saberia que não valem a pena até que eu tentasse? Ainda prefiro fazer algo e me arrepender do que não fazer e essa dúvida me torturar. Mas o arrependimento não é menos amargo, é como uma cicatriz que hora ou outra sempre acaba sangrando...

De fato, talvez minhas palavras andem realmente frias...Provavelmente coaguladas em minhas mágoas e cicatrizes...
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26 de junho de 2009

Memórias

Quero uma alma medieval, feita de abissais lembranças e de desejos profanos...Que sinta o ódio queimar sua pele, mas não se contamine por suas iniquidades. Que guarde as experiências tatuadas em seus ossos, mesmo quando estes já se tornaram pó. Que saiba o valor de um dia mesmo quando a paisagem é o horizonte de uma eternidade abstrata...Que saiba provar o beijo de um inimigo e cuspir na face de quem ama, para protegê-lo das sombras que não se vê. Que ande tranquilamente sob a luz e que mergulhe nas trevas com o rosto erguido enquanto degusta seu gole etílico com sabor de passado...
Quero continuar vendo teu riso em minha mente, enquanto seu rosto me é um borrão de grafite numa pintura secular... Dançar a última das danças sob o ritmo da ampulheta...e da areia moldar o vidro que irá rasgar o véu negro do esquecimento...
Ah como te espero, alma medieval de abissais lembranças e desejos profanos!
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19 de junho de 2009

Cacos de vidro

raiva impaciência falta bebidas torpor vertigem frio medo palavras avulsas música placebo requiem sonho morte vida mar luz torpor correria indiferença
Estou batalhando contra quem? Meus pés não tocam o chão, mas mesmo assim posso sentir o mar em meus dedos, tocando a minha pele com sua espuma fria e me mostrando como a vida é instável como o balançar das ondas. Como foi seu dia? Perguntam-me...e o dia ainda nem terminou. Como saberei? E dessa forma, por que desejo tanto saber como será o amanhã?
Desejo...Ainda sinto o toque da bebida em meus lábios e já faz algum tempo que não sinto mais o seu torpor. Ah delírios! Já não sei mais o que significa a palavra fria e dura como gelo: realidade. Mas a sinto como algemas a tentar aprisionar meus pés no chão de areia movediça...e quero quebrá-la, rompê-la com meus dentes...E gargalhar delirante ao dizer: devorei-te ó realidade, digeri sua essência em meu estômago de sonhos!!
Mas ainda sinto seus olhos de gelo tocarem minha pele invisível e dizer que o dia foi corrido, como se isso justificasse o esquecimento...das coisas que não existem...Pausa.
E sinto o calor que ainda existe feito fogueira no interior dos que sonham, que gritam em instrumentos mudos seu mundo de caos onde nada permanece porém...toca.
Pobre ser, ó insensato...tão vivo, tão sóbrio, tão prostituído s[em] suas ilusões.

vem...iluda-me, entorpeça-me e vá...já que o possuir não adentra seus domínios e minha pele é feita de água salgada, onda viva, que queima como fogo...teus mosaicos musicais.
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12 de maio de 2009

ao som de She lost Control...

paranóia pensamentos música ansiedade espera sorriso lembranças janelas ritmo caminhos intensidade dança noite tequila
De repente você se levanta e olha o quarto a meia luz, iluminado por algo chamado sol e que já brilha há algumas horas e sente como que alfinetes em sua pele movendo seu corpo e sentidos para o mundo. Mas o mundo não é mais o seu centro, há uma atração que faz de sua própria intensidade o centro de tudo...que te importa ao menos.
Duas noites atrás passam a fecundar sua mente em forma de flashes de imagens que te marcaram, tais como ferro quente a marcar a pele de um bovino ou feito tatuagem que só se admira por dentro, feito luz negra a iluminar rastros de sentidos. Passa-se a pensar em um sorriso que te queima feito arma nuclear, em restícios de sarcasmo e alegria pura que te convidam a saltar do precipício das certezas ilusórias.
E eu mergulho nesse novo mundo sem ao menos me recordar de cicatrizes e lhe entrego os pedaços para que misture à sua bebida e deguste... Ah banquete meu de insanidades, que posso fazer se meu paladar é sempre meu guia?
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18 de março de 2009

Espera

Hoje vou começar com meu joguinho de palavras de associações livres, buscando que se esclareça um pouco o caos...ou não.

febre calma dor paz dança luz trevas caminho multidão fluorescente sentimento vazio nervosismo pena cansaço sono medo insônia solidão vaga fila desprezo branco prepotência danos morte indiferença déja-vu memórias cama comida fome lança política lei rua manchas doença meu ontem amanhã sutileza mendicância lama concreto sangue olhar livro faca choro lenço limbo languidez chuva sede falha fuga sentido
É preciso encontrar um abrigo de nós mesmos, uma fuga insensata e insana que nos traga a distância do contato, da pele profunda feita de músculos, sangue e fel. A máscara verdadeira, porém a menos bela e harmoniosa que nos delata diante de nós mesmos, os piores algozes, eternos inquisidores, fábricas de dúvidas infinitas.
Ó meu corvo vingador, anjo de aço e veneno que me olha com este semblante tão frio e me queima no desejo do absurdo! Teus soldados de concreto e vazio perambulam na tarde errante, com seus alfanjes nas mãos, prontos a decapitar os homens-pedra que vagam em seus caminhos. Esbarram na foice e não enxergam a lança. Não me viram, porém olharam fixamente como que buscando...o nada. Senti o frio de suas peles, o cansaço do tempo sempre tão carregado de memórias, a dor da espera, o asco, o medo do contágio, a respiração sufocada, o suspiro intolerante, o perambular de corpos que não se tocam, se odeiam, apenas.

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20 de fevereiro de 2009

Um universo só para 1...

A noite finda com a poesia que tece a vida dos notívagos, enlaçados que somos pelos carretéis de palavras que nos envolvem feito uma mortalha nas costumeiras noites em claro. E é esta clareza que me delata a tua cegueira. Por onde anda teu inconsciente volitante que ainda não percebeu as lâminas frias que habitam meus olhos? Lâminas estas, que não indicam que eu nada sinta, mas sussuram que eu aqui já não me encontro, que parti, e funcionam dessa forma, como portas a trancar em alguma dimensão menos fria, a minha alma e meus sentimentos.
É deveras interessante a forma como as pessoas perdem suas nuances de "seres humanos" quando o cérebro, ou melhor, nossa parte racional, toma as rédeas de nossas vidas. Aqueles seres antes vistos como símbolos emocionais por você, passam a ser somente números, reticências, paisagem ao invés de atores, e se tornam irrelevantes. O emocional que assumia uma forma de cavalo selvagem, se mostra agora feito um cão dócil e tolo, irritante como um poodle de madame.
E você descobre que precisa ficar só, que qualquer outra distração atrapalha o furacão de seus pensamentos, estes que perambulam em sua mente tão rápidos que já não se pode respirar, ou eles se perdem em algum buraco negro dentro da sua alma. E a solidão antes tão temida passa a ser uma necessidade frenética e o silêncio que era tão incômodo, passa a ser um bálsamo, um ópio para reduzir as dores causadas pelo excesso do Eu.
As pequenas marcas na parede branca começam a se mover feito insetos, o barulho das ruas roubaram meu silêncio, os olhos se tornam pesados diante da luz amarelada e suas lâminas rompem minhas teias de palavras feito uma guilhotina, arremessando-me para algum lugar onde se fabriquem os sonhos...E onde meu Eu possa se transformar em Outro.
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28 de janeiro de 2009

Sonhos Cintilantes

Queria ir pra longe, onde só existe a linha do horizonte que divide o céu e o mar...Onde o céu durante a noite com suas estrelas fosse um manto de luz...Onde as flores ao redor ornamentassem a grande festa natural...
Queria correr tão rápido feito o pensamento, com os pés tocando a areia e o sal e não pensar em nada...nada...Rir, como riem as crianças em seus mundos ainda imaculados de maldade e adormecer velada pelas aves sagradas da noite. E admirar teu doce olhar que também vela por mim dos céus, anseando que eu também alce vôo sem deixar nada para trás.
E é sob teu canto que me embalo minha Mãe Sereia, que leva minhas dores para longe, bem para o fundo do mar, para que elas jamais retornem e que me traz as moedas cintilantes, azul celeste, de prosperidade e alegrias para minha vida, para o meu hoje, meu agora...
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24 de dezembro de 2008

Lilac Wine

Ainda bem que apesar de todas as tempestades que têm vindo à tona nos últimos tempos, bons momentos resolveram aparecer...Na paisagem tão cinzenta - a lilac tree - uma árvore lilás, tem surgido e me mostrado que acreditar é sempre necessário, pra que não nos fechemos e percamos as boas coisas da vida...E estas, sempre serão possíveis e sempre surgirão após as grandes tormentas.
De um momento pra outro, você conhece alguém que também sabe dar boas risadas do trágico e do cômico que há pra se ver neste mundo, alguém que sabe aproveitar uma boa música e ouvi-la de dentro pra fora, alguém que sabe o valor de uma boa bebida pra tornar a vida mais leve, e faço uma observação de que boa bebida definitivamente não inclui vodka rs, já que esta nos causa verdadeira aversão, alguém que você passa horas conversando e o assunto nunca termina, alguém que sabe a importância de um abraço e que também tenha verdadeira cegueira diurna rsrs, alguém que definitivamente sabe o quanto é prazeroso passar horas e madrugadas em claro ao lado de alguém que se torna especial. Alguém que faz falta, muita falta...
E antes que eu precise de uma overdose de doritos e toddynho rsrs vou terminar esse post com o grande e eterno Jeff Buckley, com essa música linda e que me traz tão boas lembranças...E essa música é pra ti, sem dúvida nenhuma...E pra este céu cinzento que cobre esta nossa cidade tão alternativa rsrs possa se tornar um pouco lilás também...

Sinto sua falta...
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13 de dezembro de 2008

Dama de ferro


Viver é uma viagem solitária...Por mais que exista uma multidão ao nosso lado, estamos sempre sozinhos em nossas escolhas e opções. Nosso caminho é só nosso e ninguém poderá percorre-lo em nosso lugar.
E de repente percebemos que temos valores, damos o nosso melhor e resolver aliviar um pouco o caminho de pessoas que gostamos tentando arrancar alguma pedra de seus caminhos...e somos pegos de surpresa, quando vemos a mesma pedra quando nos é arremessada pelas costas. Não, confiar não é possível...E só nos resta nos conformarmos com a solidão intensa e eterna a que estamos confinados neutral...
Acredito que as punhaladas tenham sido tão intensas, que perdi grande parte da sensibilidade diante das tragédias, me choco cada vez menos e me dessensibilizo aos poucos no infinito...Deixo de me importar, de sentir, de acreditar, de esperar. Mas ainda não me tornei estátua de pedra, continuo sendo dama de ferro, guerreira incessante nesses tempos de caos, creio que a maldição do século 21 não se abateu ainda sobre mim por completo...Sim, ainda acredito em amizade, amor e lealdade, embora sejam estes ecos que eu repita sem respostas na caverna escura da vida...
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8 de dezembro de 2008

...mais um Vôo

Eis a época do ano em que nos questionamos sobre tudo...Sobre o que fizemos, o que gostaríamos de ter feito e o que faremos...São tantas perguntas e poucas respostas, provavelmente porque a maior das respostas é como vivemos, como formulamos as questões, como suportamos a ansiedade da dúvida.
Nos sentimos frágeis feito cristal e como as asas de uma borboleta...E de repente, vêm as tempestades ainda mais fortes e descobrimos que somos feitos de aço e que a borboleta frágil era a outra face da fênix, capaz de suportar água e fogo, tempo e destino.
E assim me ergo nas dores causadas pelos cascalhos dessa estrada de 2008, meu mundo e minha escola, minha jornada evolutiva. E feliz por não ter perecido, mas ainda mais por ter vencido mais um passo de forma honrada e leal...À mim, à Lei, à Justiça, à Deus, à Vida.
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