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5 de outubro de 2009

Maresia

Ouço o mar que me chama ao longe, sempre a mesma praia a cantar meus sonhos... Mas são teus olhos que busco ao horizonte. Sempre teu olhar que me falta, que queima minha pele em um fogo de ausência como se nada me fosse suficiente, como se tudo fosse ainda pouco se eu não puder repousar a face em teu corpo. E como explicar em letras fixas, um sentimento abstrato e imenso, capaz de superar o Tempo, o glorioso legislador de todas as eras?
Mas não, meu oceano, não se extinguiu a espuma de suas águas nem o doce mel de teus amores em meus lábios, que sempre te aguardaram como a espera de um grande presente divino. Néctar dos deuses, eis o verdadeiro sabor dos amores que não se extinguem!
Caminho lentamente por entre a areia, com medo talvez de que minhas pernas se dissolvam ao toque de tuas águas e eu já não possa mais sair, somente submergir inerte e entorpecida nos teus encantos venenosos que me aprisionam e me libertam...como um vício!
Ah meu banquete de amor eterno, não deseje você incitar os meus vícios!! Ou seremos nós um oceano de entorpecimento...e delírio.
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3 de julho de 2009

mots froid

insônia palavras frio superficialidade confiança mágoa raiva medo dados bebidas sono amizade sede lágrimas placebo msn
Eis uma daquelas noites em que se acorda na doce ilusão de que irá beber um pouco d´água e voltar aos seus sonhos, mas não. Sua garganta seca e de repente você se pega pensando em coisas que te magoam e o quanto isso tem afetado seu comportamento...
Hoje uma pessoa me perguntou na internet se eu havia sido casada, achei até engraçada a pergunta, de repente me perguntou se eu havia namorado por longo tempo, porque eu parecia ter sido magoada, parecia ter tido várias decepções...Respondi com uma pergunta (até me lembrei do programa Chaves quando dizem que só os idiotas respondem uma pergunta com outra pergunta, mas perguntei do mesmo jeito): quem não teve decepções? E tive que ouvir, que às vezes minhas palavras parecem tão frias...
Isso me fez pensar em todas as palavras frias que tenho ouvido ultimamente, em todo o teatro de superficialidades que somos obrigados a viver e encenar mesmo quando as cenas nos dão náuseas...Me senti estúpida por todas as vezes que corri atrás de pessoas que não valiam a pena, mas como eu saberia que não valem a pena até que eu tentasse? Ainda prefiro fazer algo e me arrepender do que não fazer e essa dúvida me torturar. Mas o arrependimento não é menos amargo, é como uma cicatriz que hora ou outra sempre acaba sangrando...

De fato, talvez minhas palavras andem realmente frias...Provavelmente coaguladas em minhas mágoas e cicatrizes...
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