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26 de junho de 2009

Memórias

Quero uma alma medieval, feita de abissais lembranças e de desejos profanos...Que sinta o ódio queimar sua pele, mas não se contamine por suas iniquidades. Que guarde as experiências tatuadas em seus ossos, mesmo quando estes já se tornaram pó. Que saiba o valor de um dia mesmo quando a paisagem é o horizonte de uma eternidade abstrata...Que saiba provar o beijo de um inimigo e cuspir na face de quem ama, para protegê-lo das sombras que não se vê. Que ande tranquilamente sob a luz e que mergulhe nas trevas com o rosto erguido enquanto degusta seu gole etílico com sabor de passado...
Quero continuar vendo teu riso em minha mente, enquanto seu rosto me é um borrão de grafite numa pintura secular... Dançar a última das danças sob o ritmo da ampulheta...e da areia moldar o vidro que irá rasgar o véu negro do esquecimento...
Ah como te espero, alma medieval de abissais lembranças e desejos profanos!
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28 de julho de 2008

Mosaico.


Hoje o dia amanheceu cinza, mas talvez só para mim que tranquei a beleza do amanhecer em algum lugar longínquo e adormeci no baú de sonos profundos...E nada sonhei. Despertei numa quase noite, aquela hora em que você percebe o dia indo embora e na verdade deseja que ele já tivesse terminado.
E não é dor o que você sente, somente uma longa espera. Você espera que o vento leve pra longe essa angústia e lhe traga novos sabores, já antigos pra você, e que prove que cada lágrima teve alguma razão de ser. Você olha no espelho e não sabe o que vê, não sabe o que está ali ou além daqueles cacos. Você quer dizer algumas palavras que assine algum pacto de sangue feito num passado que você não conhece...Quer quebrar esta imagem refletida e voar pra bem longe das feridas, mas você nada diz. Você espera...
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