17 de julho de 2008

Começos, meios e fins.


Como deixar o outono pra trás? Como recomeçar quando sentimos que talvez nunca tenhamos possuído de fato algum começo? Fragmentos. Pedaços isolados de grandes pequenos erros que cremaram em pleno nascimento os fetos da esperança. Esperança passada, diferente desta que agora guardo em meu peito, que embora nova talvez seja ainda formada de fósseis. Já não sei com que pés eu traço meu caminho, não reconheço muitas vezes meus próprios passos, apesar do sangue ser sempre o meu a gotejar nessa estrada. Fotografias rasgadas, dias nublados, apesar das diferentes trilhas o sentimento é o mesmo. O mesmo eco vindo da montanha fria. Quem sabe algum dia, quando se iniciar algum começo, eu possa olhar para trás e reconhecer meus passos no caminho.
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4 de julho de 2008

A Bela Dama Sem Piedade [John Keats 1795 - 1821]

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas,
Sozinho, pálido e vagarosamente passando?
As sebes tem secado às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas?
Sua face mostra sofrimento e dor.
A toca do esquilo está farta,
E a colheita está feita.

Eu vejo uma flor em sua fronte,
Úmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
Rapidamente desvanescendo também.

Eu encontrei uma dama nos campos,
Tão linda... uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
E selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
E braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
E suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
E nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
Uma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
mel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse...
\"Verdadeiramente eu te amo.\"

Ela me levou para sua caverna de fada,
E lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
Com quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
E lá eu sonhei...Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
Nesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
Pálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram...\"A Bela Dama sem Piedade
Tem você escravizado!\"

Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
Abertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
Nesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
Sozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.
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1 de julho de 2008

Carpe Diem, Carpe Noctem, Carpe VIDA.


Meu conselho de hoje é: Sem futurismos. E o que é isso? Chamo de futurismo a mania tola que temos muitas vezes de racionalizar demais cada segundo de nossas vidas, pensando se a situação em questão será passageira ou durará quanto tempo? Para sempre? SEMPRE é tempo demais e nossos neurônios nem conseguem abstrair tanto tempo assim de uma só vez... O ideal é viver um dia após o outro, ou por que não, um segundo por vez aproveitando cada milímetro de adrenalina e endorfina que ele possa nos proporcionar. O tempo ideal? o AGORA. O passado já se foi e o futuro estará sempre SENDO...Um devir.
A vida é feito um sonho, que inebria enquanto estamos sonhando...Não se pode aproveitar o sonho completamente se já está desperto, o máximo que lhe restaria seriam vagas lembranças...E lembrança? É PASSADO.
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28 de junho de 2008

Armando a catapulta...


Aqui estou eu acordada em um sábado de manhã e não pensem que sou daquelas estilo "Geração Saúde" que acordam cedo em pleno fim de semana. Mais uma noite em claro, nível taxativo de ansiedade 100%, remoendo a idéia de voltar pra Sampa, A Cidade que NUNCA dorme. Sinto tanta falta daquele lugar, onde por mais que você se sinta o ser humano mais solitário da literatura, você é obrigado e violentado a encontrar milhões de pessoas nas ruas, nas calçadas, nos elevadores. Rostos estes que jamais lhe permitiriam condenar-se à clausura. A Cidade Movimento. Onde os sonhos e desejos não param e as atitudes requerem urgências e nos lançam à vida feito catapultas enfurecidas. É preciso mais uma vez de um recomeço, estes parênteses que me vejo obrigada a colocar em minha vida tal como um vício. De fato, se minha vida fosse escrita em papel meus recomeços seriam marcadores de página no estilo "Post It".
Não vou ficar mais esta página sentada embaixo de uma árvore imaginária, vestida de forma bucólica e aguardando a areia da ampulheta escorregar pelo vidro. Se continuasse assim, logo eu estaria ouvindo música country, aqui nesta terra, onde as pessoas se não morrem por causa da violência, no entanto, morrem de tédio.
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21 de junho de 2008

Ay yê yê Oxum!

Salve Oxum...No Sincretismo é representada por Nossa Senhora Aparecida...Oxum é mãe e senhora dos rios, cachoeiras, mãe das águas doces...e por Nossa Senhora Aparecida ter aparecido em um rio, eis o por quê do sincretismo...Ay yê yê O!

As características das(os) filhas(os) de Oxum:

O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolos do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que Oiá. Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social.

Versos de Oxum:

No tempo da criação, quando Oxum estava vindo das profundezas do òrun, Olódùmaré confiou-lhe o poder de zelar por cada uma das crianças criadas por Òrisà (Oxàlà), que iriam nascer na terra. Oxum seria a provedora de crianças. Ela deveria fazer com que as crianças permanecessem no ventre de suas mães, assegurando-lhes medicamentos e tratamentos apropriados para evitar abortos e contratempos antes do nascimento, mesmo depois de nascida a criança, até ela não estar dotada de razão e não estar falando alguma língua, o desenvolvimento e a obtenção de sua inteligência estariam sob os cuidados de Oxum. Ela não deveria encolerizar-se com ninguém a fim de não recusar uma criança a um inimigo e dar gravidez a um amigo. A tarefa atribuída a Oxum transforma-a na primeira Ìyá-mí, encarregada de ser a Olùtójú awon omo (aquela que vela por todas as crianças) e a Álàwòyè Omo (aquela de cura as crianças). Oxum não deve vir a ser inimigo(a) de ninguém.


Lenda de Oxum


OXUM (Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Editora Currupio) Orê Yeyê ô! Oxum era muito bonita, dengosa e vaidosa. Como o são, geralmente, as belas mulheres. Ela gostava de panos vistosos, marrafas de tartaruga e tinha, sobretudo, uma grande paixão pelas jóias de cobre. Este metal era muito precioso, antigamente, na terra dos iorubás. Sí uma mulher elegante possuía jóias de cobre pesadas. Oxum era cliente dos comerciantes de cobre. Omiro wanran wanran wanran omi ro! "A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!" Oxum lavava suas jóias, antes mesmo de lavar suas crianças. Mas tem, entretanto, a reputação de ser uma boa mãe e atende às súplicas das mulheres que desejam ter filhos. Oxum foi a segunda mulher de Xangô. A primeira chamava-se Oiá-Iansã e a terceira Obá. Oxum tem o humor caprichoso e mutável. Alguns dias, suas águas correm aprazíveis e calmas, elas deslizam com graça, frescas e límpidas, entre margens cobertas de brilhante vegetação. Numerosos vãos permitem atravessar de um lado a outro. Outras vezes suas águas, tumultuadas, passam estrondando, cheias de correntezas e torvelinhos, transbordando e inundando campos e florestas. Ninguém poderia atravessar de uma margem à outra, pois ponte nenhuma as ligava. Oxum não toleraria uma tal ousadia! Quando ela está em fúria, ela leva para longe e destrói as canoas que tentam atravessar o rio. Olowu, o rei de Owu, seguido de seu exército, ia para a gerra. Por infelicidade, tinha que atravessar o rio num dia em que este estava encolerizado. Olowu fez a Oxum uma promessa solene, entretanto, mal formulada. Ele declarou: " Se voce baixar o nível de suas águas, para que eu possa atravessar e seguir para a guerra, e se eu voltar vencedor, prometo a você nkan rere", isto é, boas coias. Oxum compreendeu que ele falava de sua mulher, Nkan, filha do rei de Ibadan. Ela Baixou o nível das águas e Olowu continuou sua expedição. Quando ele voltou, algum tempo depois, vitorioso e com um espólio considerável, novamente encontrou Oxum com o humor perturbado. O rio estava turbulento e com suas águas agitadas. Olowu mandou jogar sobre as vagas toda sorte de boas coisas, as nkan rere prometidas: tecidos, búzios, bois, galinhas e escravos. Mel de abelhas e pratos de mulukun, iguaria onde suavemente misturam-se cebolas, feijão fradinho, sal e camarões. Mas Oxum devolveu todas estas coisas boas sobre as margens. Era Nkan, a mulher de Olowu, que ela exigia. Olowu foi obrigado a submeter-se e jogar nas águas a sua mulher. Nkan estava grávida e a criança nasceu no fundo do rio. Oxum, escrupulosamente, devolveu o recém-nascido dizendo: "É Nkan que me foi solenemente prometida e não a criança. Tome-a!". As águas baixaram e Olowu voltou tristemente para sua terra. O rei de Ibadan, sabendo do fim trágico de sua filha, indignado declarou: "Não foi para que ela servisse de oferenda a um rio que eu a dei em casamento a Olowu!" Ele guerreou com o genro e o expulsou do país. O Rio Oxum passa em um lugar onde suas águas são sempre abundantes. Por esta razão é que Larô, o primeiro rei deste lugar, aí instalou-se e fez um pacto de aliança com Oxum. Na época em que chegou, uma de suas filhas fôra se banhar. O rio a engoliu sob as águas. Ela só saiu no dia seguinte, soberbamente vestida, e declarou que Oxum a havia bem acolhido no fundo do rio. Larô, para mostrar sua gratidão, veio trazer-lhe oferendas. Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer, em sinal de aceitação, os alimentos jogados nas águas. Um grande peixe chegou nadando nas proximidades do lugar onde estava Larô. O peixe cuspiu água, que Larô recolheu numa cabaça e bebeu, fazendo, assim, um pacto com o rio. Em seguida ele estendeu suas mãos sobre a água e o grande peixe saltou sobre ela. Isto é dito em iorubá: Atewo gba ejá. O que deu origem a Ataojá, título dos reis do lugar. Ataojá declarou então: "Oxum gbô!" "Oxum esta em estado de maturidade, suas águas são abundantes." Dando origem ao nome da cidade de Oxogbô. Todos os anos faz-se, aí, grandes festas em comemoração a todos estes acontecimentos.
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25 de abril de 2008

Ogum Yê!


Dia 23 de abril foi dia de São Jorge, que é o orixá Ogum pra nós...E a esse orixá maravilhoso, meu Pai de Cabeça, vencedor de demandas é que eu dedico esse post...Ogum Yê!

"Ogum é um dos mais antigos deuses do Panteão Iorubá, e sua importância é muito grande por sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam, pois sem sua permissão nenhum trabalho ou atividade poderia ser possível. Ele é aquele que abre o caminho para todos os outros Orixás.

O sincretismo com São Jorge

Aquele negro que vivia livre pelas terras africanas e se viu privado de sua liberdade, trazido a terras estranhas para tornar-se escravo, via no Orixá Ogum a força para conquistar sua liberdade. Cultuar Ogum passou a ser, para esse povo humilhado, algo de suma importância, pois seria ele quem lhes daria coragem e os ajudará nas batalhas pela liberdade.
A figura do santo católico São Jorge é um homem coberto por uma armadura e portando uma lança com a qual mata seu inimigo, o "dragão". O Ogum era considerado um Orixá guerreiro, mas o senhor branco lhe fazia cultuar o santo católico. Assim,o negro humildemente continuou cultuando seu Orixá sob a imagem do santo, também considerado por eles um grande guerreiro."

-> Texto extraído da Revista Espiritual de Umbanda, número 13
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29 de fevereiro de 2008

Queda


Cair...Se até os anjos caem, por que não iríamos também tropeçar pelo caminho?
Caminhamos em linha reta pela estrada de pedras amarelas e de repente começamos a perceber que as pedrinhas já não estão mais tão reluzentes e ao insistir pela caminhada percebemos que faltam tijolos no caminho...E quando nos tornamos ainda mais detalhistas...Onde está a estrada? Se foi...Como tantas coisas que se vão...
E como tantas outras coisas que jamais lhe deixarão...
Um caminho que se rompeu como um raio que parte o galho de uma árvore numa noite sem nuvens...Começa a se explicar, a fazer sentido...A recomeçar a ser traçado, sem nunca dantes ter sido apagado...Pois como se apaga palavras que não foram escritas a tinta? Mas escritas a alma...
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20 de fevereiro de 2008

Opostos


Ando em meio a um sonho angustiante, um pesadelo outros diriam, mas eu digo que todo pesadelo é sonho, é transformação, nunca o que nos aparece é a coisa em si, ela se esconde por trás de uma cortina de veludo...Veludo Azul? O azul sempre me acalma...
O sonho é como o viver...Um jogo de espelhos, de opostos, imagens por trás de uma janela embassada pela chuva. Esse pensamento me tranquiliza, pois quisera eu realmente que meus sentimentos reais sejam o inverso dos que agora sinto.
É uma dor sublime, é como ganhar asas e temer pairar sobre as nuvens, longe do chão de cristal, tão frágil porém algum dia deram aos meus pés a ilusão de que fosse sólido. Agora eu vejo. Do alto consigo observar que meu chão não era de cristal, mas sim um lago congelado. Perigoso voar, perigoso descer. O sol derreteu o gelo, logo não haverá nem um único sinal do território que um dia me acolheu.
Antes de alçar vôo visto um manto de retalhos...Retalhos de outros, retalhos de mim. Lanço pedaços para longe, onde minha mente não venha buscar durante o sono, mas talvez eu os deixe por lá exatamente para que eu os reencontre enquanto durmo. Acordada só desejo esquecer...que sou uma imagem distorcida de mim mesma e que olhar para dentro de si deve ser letal, já que esta condição nos foi negada.
Eis a hora de adormecer...
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16 de fevereiro de 2008

EVENTO - II Fórum Internacional de Saúde Mental e Direitos Humanos


O Brasil foi escolhido para sediar o próximo Fórum, pela sua tradição em lutas e por ter movimentos sociais bastante fortes e atuantes como o Movimento Nacional de Luta Antimanicomial.

Instituição:
LAPS/ENSP/Fiocruz; GT de Saúde Mental da Abrasco; Gdhis/Fiocruz; Labore/ UERJ; Capsi/UERJ; Centro Teatro do Oprimido (CTO – RJ); IFCS/UFRJ; Espaço Antonin Artaud; Laboratório (UERJ); Clyo Psiche/UERJ; Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro; Crefito 2 - Apacojum

Local:
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

Período:
22/05 a 25/05/2008

Informações:
Este Congresso é um dos desdobramentos de uma luta que teve início na época da ditadura militar na Argentina quando as mães de jovens desaparecidos resolveram se unir e lutar pelo aparecimento com vida de seus filhos e filhas.

A proposta é que o fórum possa circular por diversos países e envolver vários atores e experiências a favor da solidariedade e inclusão social das pessoas em sofrimento mental e de luta contra as mais variadas formas de opressão e injustiça.

Pretende-se neste encontro dar continuidade a esse importante espaço de resistência, desenvolvendo diversas atividades onde se possa socializar experiências e potencializar ações.

O II Fórum será constituido por debates que somarão nas possibilidades de transformação, criação e crítica de diferentes pessoas dentro do campo da Saúde Mental e dos Direitos Humanos.

Para maiores informações e inscrições:

Site do ENSP
Ficha de Inscrição
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15 de fevereiro de 2008

Melancolia...


Já que a águia que hoje paira sobre meus ombros é a melancolia, invoquemos então a palavra de Charles Bukowski, o poeta da margem...O MARGINAL como diria o mundo cristalizado...
Adentro agora neste vórtice, ansiosa que ele me tire as vestes decadentes...E não me refiro às melancólicas, mas sim às medíocres que nada combinam com minha vertigem...

"Se na terra há um inferno, deve estar no coração do homem melancólico". (Robert Burton)

Melancolia

A história da melancolia inclui todos nós.

Eu escrevo em lençóis sujos enquanto olho para paredes azuis e nada.

Eu já me acostumei tanto com a melancolia que

eu a recebo como uma velha amiga.

Eu terei agora 15 minutos de aflição

pela ruiva perdida,

eu digo aos deuses.

Eu faço isso e me sinto bastante mal bastante triste

então eu levanto

LIMPO

apesar de que nada

está resolvido.

Isso é o que eu ganho por chutar a religião na bunda.

Eu deveria ter chutado a ruiva na bunda

onde o cérebro e o pão e a manteiga dela estão...

Mas, não, eu me senti triste por tudo:

a ruiva perdida foi apenas outro rompimento em uma vida

de perdas...

Eu ouço a bateria no rádio agora e sorrio.

há alguma coisa errada comigo alem da melancolia.

[Charles Bukowski]
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